Entrevista com Felipe Mojave


OMAHA BRASIL: Olá Mojave. Antes de mais nada parabéns pela mesa final no Evento #35 de PL Omaha do WSOP e pela mesa final do Circuito Paulista de Hold'em. Assisti sua eliminação ao vivo no WSOP numa mão que você era favorito e parecia que tudo ia muito bem no flop, mas um runner-runner acabou eliminando você. No flop, você pensou "É agora que eu viro isso. O momento é meu e vou atrás desse bracelete"? Você pensou algo assim? E no river, qual foi o sentimento além da frustração é claro? De dever cumprido ou de que poderia buscar o bracelete?

Mojave: Fala Silvio, sinceramente, pensei que eu tinha voltado pro jogo. No pré-flop, sei que minha mão tem uma força tremenda, como se fosse AK x AQ no Hold'em. No flop então, tenho 92% de chances de vencer, então eu pensei realmente que ia voltar firme pro jogo. Infelizmente meu torneio foi assim inteirinho, cheio de altos e baixos e muitas bad beats. Incrível mesmo foi chegar na mesa final, mas isso acho que é uma qualidade minha, pois me movimentei muito e sempre que eu perdia um pote eu tinha mais fichas que o adversário. O dever com certeza foi cumprido, pois foi o melhor resultado do Brasil nesse ano e de todo time do PartyPoker, mas é claro que a frustração é gigante, pois eu realmente tive chances de ganhar o bracelete e fiz tudo certo, então escapar assim desse jeito é bem dolorido.

OMAHA BRASIL: Depois desse resultado histórico você conseguiu um cash em uma etapa do Bellagio Cup e a mesa final do CPH no seu primeiro torneio de volta ao Brasil. O assédio foi grande, dos jogadores e da mídia?

Mojave: Foi sim. Muito legal foi o fato de vários prós internacionais me procurarem para dar os parabéns e trocar contatos. Na Bellagio Cup fiz uma jogada que 2 prós tiraram o chapéu e um deles até falou: Só precisa de um pouquinho mais de estrela na reta final; quando meu AA não segurou contra JJ no evento de 5k. Esse reconhecimento é muito bom, pois significa que to no caminho certo. Já na questão de mídia, estou participando da capa da Flop e da Cardplayer desse mês (juntas) fora muitas entrevistas e assédio da galera do Brasil que torce demais pra mim, sou muito grato mesmo. Essa turma começou jogando comigo lá no Circuito Paulista, então o sentimento é de "família" mesmo. No BSOP eu tirei muitas fotos e vários autógrafos nas revistas, o que mostra que o poker está se tornando uma paixão brasileira.

OMAHA BRASIL: De volta ao evento de PL Omaha do WSOP. Qual ou quais eram os adversários mais difíceis daquele torneio? Tinha algum jogador ali que você sentia que chegaria longe independente do stack?

Mojave: O field daquele torneio é o mais forte possível. Buy-In de 5k na modalidade de Omaha não tem nenhum bobo. O jogador que mais me chamou atenção foi o campeão do torneio Richard Austin. Ele tem um estilo muito parecido com o meu e sabe a equidade das mãos no Omaha no seu percentual exato sem errar a leitura (era um jogador que eu claramente enxergava num nível maior que o meu). Inclusive, na mesa semi-final, fiz uma das mais belas jogadas da minha carreira e quando o adversário deu fold (eu estava de blefe puro por todas minhas fichas num 4-bet no flop) ele disse: Nice air! Fiquei quieto, mas me espantou a capacidade dele de ter a certeza que eu estava blefando e também me fez enxergar alguns pontos que preciso corrigir no meu jogo, obviamente. Peguei amizade com o Nam Le, que se mostrou um jogador fantástico e completo. Do mais, os jogadores cometem muitos erros básicos no Omaha, inclusive grandes prós do Hold'em que "acham" que jogam Omaha e estão severamente enganados.

OMAHA BRASIL: Como foi sua estratégia pro torneio? Sabemos que os Eventos do WSOP são deep, mas não tanto como o Main Event.

Mojave: Esse torneio começava com 15k fichas e 1 hora de blind no 50-100. Eu acho que é o suficiente pra jogar um bom deepstack. Minha estratégia era de jogar bem sólido, bem diferente do Hold'em, no Omaha eu prefiro jogar mais tight, não que eu tenha jogado tight ou minha seleção de mãos seja mais fechada (só em comparação com o Hold'em). Com isso eu consegui ter mais paciência para observar os adversários e suas ações e traçar uma estratégia para jogar contra cada um de acordo com o perfil, ao invés de tentar dominar a mesa ou coisa do gênero, mesmo quando eu era bigstack. Isso adicionou uma grande credibilidade ao meu jogo aumentando a taxa de takedown nos potes que eu jogava. Inúmeras foram as vezes que eu praticamente dobrava sem showdown.

OMAHA BRASIL: Quando você começou a jogar poker, vislumbrava um dia chegar em uma mesa final de WSOP ou encarava o poker como um passatempo?

Mojave: Nunca na vida. Poker pra mim era pura diversão com os amigos. Quando eu me interessei mais pelo jogo e comecei a colher bons resultados, nem aí isso passava pela minha cabeça. Acontece que os resultados continuaram a surgir até o momento que eu me profissionalizei de vez. Aí sim, meu objetivo era bem claro pra mim: Me tornar um dos grandes jogadores de Poker no mundo em 3 anos e pra isso acontecer eu sonhava sim com WSOP, EPT, etc. Sei que é um objetivo de uma pretensão gigantesca, mas é assim que eu trabalho comigo mesmo, tentando extrair o melhor de mim e me dedicando muito, o que me faz acreditar que isso é plenamente possível. Em 1 ano e meio até agora, acredito que estou caminhando bem, mas sei que preciso melhorar muito e acelerar alguns pontos fracos que eu tenho.

OMAHA BRASIL: Como foi sua formação no Omaha? Aprendeu como? Jogando, livros, coach, um pouquinho de cada...?

Mojave: Eu aprendi Omaha em livros, basicamente. Já li praticamente todos e muitos vídeos. Então comecei a praticar bastante na internet e os torneios começaram no Brasil. Tivemos ano retrasado o Circuito Paulista de Omaha onde eu fui o campeão do ranking e de 2 de 4 etapas. Comecei a jogar muito cashgame de Omaha e a prática junto a teoria foi me guiando. Nunca tive um tutor e confesso que fui meio auto-didata mesmo. Jogo Omaha a quase o mesmo tempo que jogo Hold'em (2 anos e meio). Hoje troco informações com muitos jogadores, assim como o Austin, que não são muito conhecidos, mas são as feras do Cashgame de Omaha, como James Bordovski. Nessa World Series estive na casa do Tom Dwan 2 vezes e fiz amizade com o Noah Schwartz (que inclusive fez FT do Main Event de Omaha) e troco muita idéia com ele. Meu grande objetivo agora é conseguir subir de limite.

OMAHA BRASIL: Como você administra seu tempo entre Omaha, Hold'em e outros jogos? E joga mais cash game ou torneios?

Mojave: Jogo mais Cash de Omaha que Hold'em e jogo mais torneios de Hold'em que Omaha, é assim que eu distribuo o meu tempo. Posso falar que 40% do meu tempo de jogo vai pro Omaha, 30% pro Hold'em e 30% para HORSE e 8-Game. Abdiquei do poker online que me deu mais lucro que o live ano passado pra trabalhar os meus pontos fracos no live. Agora vou voltar aos poucos ao online, por enquanto estou jogando mais no PartyPoker.

OMAHA BRASIL: Você agora é um jogador patrocinado pelo Party Poker além de ser um "embaixador" do site. Como surgiu essa parceria?

Mojave: A parceria surgiu quando eles descobriram o jogador que eu me tornei, pois tinham meus registros no site, que foi onde eu comecei a jogar. À partir dessa ligação, o site tinha um projeto para o mercado na América latina e me convidou para participar. Eu aceitei com muito orgulho é claro, sabendo que a nossa relação realmente poderia ser bastante forte, pois eu acredito que tenho muito para ajudar o site a se desenvolver com o trabalho de embaixador, assim como o site tem muito a me oferecer como jogador me patrocinando para os principais eventos da marca e do mundo.

OMAHA BRASIL: Eu vejo que grandes nomes do poker mundial como Negreanu, Ivey, Hellmuth, J.C. Tran, e muitos outros praticamente desprezam os torneios online. Mesmo os maiores como o Sunday Million por exemplo. Pra você qual o motivo disso? Financeiramente não vale a pena? E como se dá essa transição do jogador de torneios online de sucesso para o jogador de circuitos live? Se é que essa transição realmente existe.

Mojave: Os prós que você citou não apresentam mais muitas horas de jogo. Hoje eles têm outros objetivos como empresários e hobbys. Por já terem ganhado muito dinheiro com poker eles não têm aquele "tesão" de continuar grindando forte, fora é claro os grandes eventos Live (e podemos incluir os eventos live nessa lista também). Outro fato é que, com exceção do Phil Ivey, esses jogadores não tem muito talento para o poker online e não gostam de jogar também. Não posso dizer que o jogo online é mais forte que o jogo live, mas posso dizer que o jogo deles é mais forte no live do que no online, portanto eles se afastam um pouco do online, essa é a minha opinião. Eu por exemplo, não sei se vou chegar no nível do Negreanu um dia, por exemplo, até porque eu penso totalmente diferente dele. Se eu acredito que meu ponto fraco é o poker online, eu me dedico mais ao poker online, pra tentar me tornar um jogador mais completo e mais forte no geral, mas no caso dele e outros prós live eles preferem se dedicar ao que eles sabem fazer melhor ou tem mais resultados.

No meu caso, se engana quem acha que eu comecei jogando poker online. Minha formação veio do Live, mas foi quase ao mesmo tempo que o poker online, então considero que comecei praticamente com os 2 juntos (comecei no online uns 4 meses depois do live).

Eu acho muito complicada qualquer transição, seja live pra online ou vice-versa, pois muitos jogadores não entendem a diferença dos mecanismos. Meu perfil de jogo é totalmente diferente do online pro live, assim como do Hold'em pro Omaha, etc. Eu acho isso muito importante, pois você precisa encontrar o perfil de jogo que serve para você em cada modalidade. Não é porque você é um jogador agressivo que você vai jogar todas as mãos no começo de um torneio online ou vai abrir raise com quaisquer low cards no razz. Cada jogo tem o seu segredo e o segredo é descobrir como que eles vão render mais para você. Como você pode perceber eu tenho alguns conceitos bem originais e tento usar essa criatividade pra melhorar o meu jogo, seja qual for.

OMAHA BRASIL: Obrigado pela entrevista Mojave. Deixa aí um alô pra galera.

Mojave: Queria te parabenizar pelo portal de Omaha, pois é uma modalidade que vem crescendo muito e com certeza você vai colher os frutos desse pioneirismo no futuro. Pode contar comigo. Um grande abraço pra todo mundo que eu sei que vocês torceram demais pra mim na mesa final da WSOP e queria dizer que essa foi uma conquista da nossa família, do nosso Brasil e espero que as portas continuem se abrindo pra gente e o jogo continue nessa caminhada pelo seu reconhecimento como atividade, esporte ou o que quer que seja, contando que seja considerada uma atividade de habilidade e uma profissão como qualquer outra no mundo.

Queria convidar a galera a conhecer o novo PartyPoker que está sensacional! Pra quem não tiver sua conta basta acessar o site partypoker.com e abrir com o código NOVOPP para concorrer as promoções do site. Com até 40% de rakeback e promoções exclusivas, o site com certeza oferece as melhores condições do mercado pra quem busca o maior retorno.

Eu também estou atualizando meu Blog no site partypokerbrasil.com além do Twitter @PartyBrasil, Facebook: Felipe Ramos PartyBrasil e Orkut: Felipe Mojave.